Segredo do Sucesso - Conte-nos como foi sua trajetória profissional até chegar ao Giro Business?
Sergio Waib - Até um ano e meio atrás era um executivo. Trabalhei em empresas de comunicação como o grupo Jovem Pan e depois do outro lado do balcão, numa agência de propaganda, como diretor de novos negócios da Y&R. Aprendi um pouco sobre comunicação, um mercado dinâmico, envolvente, um mercado que de fato me atrai muito. Quando saí da Y&R, em 2006, resolvi que iria empreender. E resolvi implantar o projeto de fazer um programa de televisão chamado Giro Bussiness. Um programa que tivesse como principal objetivo entrevistar presidentes e líderes do Brasil e levar o máximo de conteúdo para o telespectador, sempre com foco em dados relevantes do setor do entrevistado.
SS - A que você dedica o sucesso do programa?
SW - O Giro Business de fato se consolidou porque atuamos com um tripé que resume-se a escolha criteriosa dos entrevistados, o reconhecimento da imprensa, por meio das emissoras em que o programa é exibido, e o sucesso comercial, pois possuímos excelentes patrocinadores.
SS - Quando nasceu sua identificação com o mercado da comunicação?
SW - Não me formei em comunicação. Cursei administração um tempo e fui trabalhar. Sempre fui adepto ao conhecimento e aprendizado promovido pela prática, pela vida e comecei a atuar na área da comunicação pela porta comercial, porque sempre fui um bom vendedor. E aí surgiu o convite da rádio Jovem Pan. Pode-se dizer que foi essa a porta inicial da minha vida na área da comunicação.
SS - Você credita o sucesso do Giro Business à experiência que adquiriu na Young & Rubican e na Jovem Pan?
SW - Sem dúvida. O know-how e os próprios relacionamentos que se desdobraram de lá foram fatores muito importantes. Mais do que isso, a experiência. A experiência foi o grande ponto, que me permite hoje vender mídia, comprar mídia, veicular na mídia e promover um programa de conteúdo. Entendo a visão do anunciante. Consigo identificar seu plano de negócio e promover um retorno dentro dessa plataforma de multimídia. Consigo negociar e entender os planos de negócio dos veículos de comunicação e promover um conteúdo que vá ao encontro deles.
SS - Paralelo à sua dedicação ao programa, quais são as outras atividades que você desenvolve?
SW - Tenho um empreendimento que existe há 7 anos, chamado Boulevard Mall. Trata-se de um shopping sazonal que instala-se no Casa Grande Hotel, no Guarujá. Todos os anos, cerca de 70 grandes marcas participam do projeto. Isso só foi possível graças a parcerias com veículos de comunicação e a pessoas como Fábio Fronterotta – proprietário de uma agência de promoção chamada RF Full Promotion – e Manuel Tavares – proprietário do Casa Grande Hotel e do Banco Luso Brasileiro, da Velho Barreiro e de outras empresas. Paralelo a isso, estamos consolidando a atuação da produtora para ser uma plataforma de conteúdo, de multimídia e de entretenimento para o mercado.
SS - Qual a maior dificuldade que você enfrentou quando foi efetivamente implantar o projeto Giro Business?
SW - De verdade, não tinha dificuldade nenhuma. O dia em que resolvi fazer, logo quando saí da Y&R, tinha convicção absoluta do desejo de fazer o programa e do sucesso. Existia pouca razão, mas muita emoção. Quando bati nas portas das empresas, o que era essencial para que o programa nascesse no azul, tive uma assertividade muito grande por parte de todas elas, e, em 25 dias, tinha o projeto pago. Contava com o apoio da CVC, Bradesco, Bauducco e Impacta.
SS - Qual o critério que você usa para escolher quem vai ser o entrevistado?
SW - Muito simples. Como o programa é um projeto para o resto da minha vida, não tenho pressa de escolher. Não tenho um entrevistado, um nicho específico. Quero todos, os melhores nas suas áreas, sejam proprietários, sejam executivos ou líderes de entidades de classe. Só quero ter o prazer de sentar com essas pessoas, poder aprender, e, ao mesmo tempo, fazer com que outras pessoas aprendam. Só isso.
SS - Apesar do formato do Giro Business ser diferente do programa que o João Doria Jr. apresenta, existe, obviamente, a comparação. Como você lida com essas comparação?
SW - Adoro. Tenho a felicidade de ser amigo do João Doria Jr., de ter um convívio social cada vez maior com ele. Enxergo o João com respeito e admiração, não só pelo sucesso, mas pela forma como ele o obteve, sendo o criador de uma plataforma, que na minha visão, jamais foi superada. Fico contente quando me comparam, mas não busco ser igual, busco complementar, pois não sou um concorrente. Entrevisto os empresários in loco, assim posso conhecer mais o seu ambiente de trabalho e ilustrar melhor o programa.
SS - Você é genro de um dos homens mais poderosos e admirados desse país - o empresário Antônio Ermírio de Moraes. Você acredita que isso o beneficiou de alguma maneira comercialmente?
SW - Ele é brilhante. Seria hipocrisia dizer que ser casado com a filha do Antônio Ermírio de Morais não me ajuda, é hipocrisia. Embora eu não use isso e esteja criando minha própria “avenida”. Diria que hoje estou conseguindo criar uma independência. É um desafio que tenho e que me deixa muito feliz conseguir conduzi-lo. Mas, hoje, tenho a convicção de que eu não sou o genro, sou o Sergio Waib e a Regina não é somente a filha e sim minha esposa. Agora, de novo, seria hipocrisia minha dizer que as pessoas quando sabem de quem sou genro, já me vêem com um grande aval por ter conquistado a confiança de uma família tão importante. Então, embora não esteja diretamente ligado a meu negócio, existe uma receptividade positiva, porque o tenho como sogro. Ele é o avô do meu filho, e será da minha filha, pois minha esposa está grávida. E eu quero tê-lo e preservá-lo dessa forma. Namorei e casei com essa convicção e vou viver com essa convicção, pois tenho uma missão, que é agregar capital ao que já é por direito do meu filho. E quero que um dia o Pedro olhe para mim e fale: ‘pai, você não precisava trabalhar o que trabalhou, não precisava te ver longe de casa tanto tempo’, e vou conseguir. É muito bom andar nas ruas, cruzar pessoas e receber elogios e palavras, como a do maestro João Carlos Martins, que me disse que numa conversa o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, comentou que no dia do meu casamento eu era o genro e que estou conseguindo, de uma forma inusitada e muito pouco esperada, reverter essa situação. Na visão deles, eu sou o Sergio Waib. Isso me estimulou.
SS - Você disse, há pouco, que trabalha pensando no futuro dos seus filhos. O que o pai Sergio faz para o presente deles?
SW - Tenho que trabalhar 12 horas, em média, por dia. Dia de semana é difícil, a gente acorda junto, mas é rápido. Sou um cara muito ansioso, então meu tempo pela manhã, em casa, é muito curto. É o tempo de tomar um banho, me preparar, me arrumar e sair correndo. Quando eu chego em casa, muitas vezes o Pedro está dormindo. Final de semana é sagrado. Grudo na Regina e no Pedro, ninguém me separa. Se tiver que ir num evento inadiável no final de semana, levo minha família e, muitas vezes, eu até deleto a informação de que não é permitido levar a família e acabo levando. Se de fato não puder, eu certamente tendo a não ir nesse evento, porque eu quero ver meu filho crescer, também não quero ficar longe dele.
SS - E como o Pedro está encarando essa coisa de ter uma irmã?
SW - Nós usamos uma psicologia muito boa. O Pedro é uma criança muito simpática, bem resolvida e se comunica bem. É uma criança feliz. Usamos uma psicologia de que ele vai ter uma responsabilidade pela frente, que é a de ajudar a criar a irmã. Vejo isso como um primeiro desafio de vida. Ele está contente com tudo isso. Ele sabe que quando ela nascer vai vir como um presente. Ele até ajudou a escolher o nome.
SS - Para onde caminha o Sergio pessoal e profissionalmente?
SW - Me vejo grande, realizado e extremamente livre, mais do que já sou hoje. Realizado profissionalmente, com todo o conhecimento de que o Giro Business me permitiu ter, principalmente, pelo conhecimento e informações que eu sou obrigado a ter em cada entrevista. Pessoalmente, procuro proteger minha família e venho aprendendo por osmose com a família da minha esposa. Tenho essa oportunidade inteligível de poder sentar com meu sogro e minha sogra toda semana e aprender a exercer a humildade e a simplicidade.
Por Bruno Mendonça e Fernanda Rocha
Matéria Publicada na Revista Segredo do Sucesso
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