TI, um Segmento Que Não Compete, Mas Sim Impulsiona a Competitividade
Autor: Sérgio Waib
Data: 25/05/2009
O segmento representado pela sigla TI (Tecnologia da Informação) agora recebe “C” de Comunicação e se torna ainda mais relevante
Mais uma revolução está por vir quando o assunto é tecnologia. Atualmente, as empresas especializadas desenvolvem sistemas e aplicações para atender uma demanda de mercado. Agora, a história será outra. Quem decidirá o uso da aplicação será o próprio cliente. “Em um primeiro momento das telecomunicações a evolução começou com a voz e, posteriormente, para o uso de dados e vídeo. A tendência atual é que o poder da decisão do uso da tecnologia ser definido pelo usuário e estar atrelado à infraestrutura tecnológica. Assim, a partir da demanda do cliente, nós, fornecedores, podemos entregar soluções de maneira muito simples”, afirma Cleber Pereira de Morais, presidente da Avaya Brasil, referindo-se a mais recente novidade da companhia, o Avaya Aura, concebido com uma camada anterior à rede, permitindo centralizar a arquitetura e as aplicações de comunicações corporativas de maneira que cada usuário/funcionário utilize cada uma delas conforme as suas necessidades. E o melhor: em ambiente de plataforma aberta.
A inovação, destaca Morais, veio exatamente para suprir uma demanda, já que o uso da tecnologia é a forma como as empresas se diferenciam no mercado para atingir seus objetivos de negócios. “Todo o projeto de tecnologia de uma companhia tem de estar voltado para a redução de custos e para os ganhos de produtividade e receita. Essa é a grande preocupação de todas as empresas que investem em tecnologia e, mesmo que o Brasil não esteja sendo tão impactado pela crise, toda marca global tem de justificar seus investimentos com base nesses dois pilares”, diz o executivo, complementando que o desafio é, cada vez mais, inovação e diferencial competitivo. “Aliás, se tirarmos o ‘s’ da palavra crise, transforma-se em crie. O que corresponde exatamente ao momento atual e é a única forma de sair da crise: estruturar-se, inovar e atentar-se às oportunidades de crescimento. Esse é o cenário que o Brasil está inserido e a Avaya, mais do que nunca, enxerga esse momento como uma oportunidade”.
Em 2008, a empresa cresceu 47% e, para este ano, as perspectivas apontam para um incremento de 20% nos negócios. “Esses resultados se devem ao foco no perfil do cliente e também por estarmos principalmente voltados aos mercados de telecomunicações e finanças, que não sofreram consequências com a crise, o que ajuda a Avaya a ter um cenário positivo para este ano.”
E quando o assunto é tecnologia, o Brasil não deixa nada a desejar em relação aos outros países. Além de o setor concentrar quase a metade de toda a mão-de-obra da América Latina, movimentando um mercado de cerca de US$ 35 bilhões ou 3% do PIB, o brasileiro é um dos povos mais criativos do mundo, o que reflete diretamente na criação de sistemas inovadores. “O país tem um diferencial enorme nesse sentido, com centros de desenvolvimento de softwares, como é o caso da Avaya, para atender as necessidades dos clientes, oferecendo soluções como diferencial competitivo”, diz Morais.
Nesse mercado em que a evolução é tão constante e rápida, torna-se praticamente impossível prever o que virá nas próximas décadas. Algumas tendências já se confirmam, como cada vez mais a mobilidade no universo corporativo, no entanto, existem ainda muitos desafios a serem superados para que o Brasil se torne realmente uma potência no setor de tecnologia, conforme pontua Morais a seguir.
Pouco crédito e muitos juros
Não é de hoje que as pequenas e médias empresas deixaram de ser competitivas pela falta de crédito. Mas, com a crise, analisa o executivo da Avaya, esse cenário piorou. “Essas empresas têm um enorme potencial no país e escassez do crédito é um desafio muito grande, já que para investir e crescer, elas dependem de financiamento. Em função da crise, de uns meses para cá, conseguir capital ficou mais difícil. E isso é perceptível, já que trabalhamos fortemente junto a esse perfil de cliente”.
Com uma representatividade de 98% do total de empresas no país, segundo o Sebrae, uma pesquisa realizada no ano passado pela Nielsen mostrou que apenas 23% das pequenas e médias empresas utilizam algum tipo de crédito e o motivo principal são os altos custos ainda praticados nos financiamentos. Já faz tempo que se bate nessa mesma tecla e pouco foi feito pelo Governo para que essas empresas sejam competitivas, mesmo considerando – e isso é senso comum – que são elas que fazem a grande diferença no país, respondendo pela maior parcela dos milhares de empregos gerados.
Inovar para ser competitivo
Como em qualquer setor da economia, carga tributária somada aos encargos trabalhistas é um dos principais empecilhos para que o Brasil faça a diferença no mercado global. Especificamente no segmento de call center, menciona Morais, eles interferem diretamente na competitividade do offshore, no atendimento aos mercados internacionais. O que é lamentável, já que diferentemente de outras nações o brasileiro é tipicamente acolhedor e as tecnologias empregadas no setor estão no mesmo patamar de países como França e Estados Unidos. “Falta competitividade local, exatamente por todos esses empecilhos. Mas, apesar disso, enquanto os vários movimentos junto ao Governo para a redução da carga tributária não deva gerar uma mudança em curto prazo, o mercado está se movimentando em outro sentido, buscando competitividade com valor agregado. Nós temos alguns clientes, por exemplo, que atualmente fazem atendimento de call center para o Japão. Hoje, a segunda maior população fora do Japão está no Brasil e a língua faz o diferencial. Além disso, temos uma flexibilidade de operação muito grande, com infraestrutura de IP (Internet Protocol) com baixos custos de chamada para qualquer lugar do mundo, o que viabiliza a operação.”
Mobilidade sem fim
Uma tendência apontada pelo executivo, que não tem mais volta, é cada vez mais a adesão das empresas à mobilidade. Na Avaya, por exemplo, 30% dos funcionários já trabalham dessa forma e o resultado, conta Morais, é um ganho maior de produtividade e de qualidade de vida, principalmente em cidades como São Paulo em que se perde muito tempo no trânsito. “A cada ciclo de evolução da tecnologia há uma ruptura dos modelos antigos. Foi assim na década de 1960, com os grandes computadores; nos anos 1970, com as máquinas de menor porte; nos anos 1980, com a criação dos PCs; e nos anos 1990, com o network, a geração da internet e a informação distribuída. O que vivenciamos hoje é o que chamamos de trabalho remoto, o estar conectado em qualquer lugar, a qualquer momento, com toda a estrutura de um escritório, seja pelo computador, celular ou PDA. É a informação com a flexibilidade da mobilidade e ela está no nosso DNA, não só em ganho de produtividade, mas em qualidade de vida. É natural que, cada vez mais, as empresas seguirão nesse sentido”, conclui.
A partir da geração remota, muito ainda está por vir. Em se tratando de tecnologia, o céu deixa de ser o limite.
| Sérgio Waib Idealizador e apresentador do programa Giro Business, Sergio Waib é empresário da área de comunicação, com passagens pela Young & Rubican, quando foi diretor de novos negócios e Jovem Pan, quando atuou como diretor comercial. |