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ARTIGOS

Mobilidade 2

Autor: Sérgio Waib
Data: 23/03/2009

Um mundo, um só lugar. Em comum, todos conectados à mobilidade

Olhando para um passado não muito distante, não poderíamos imaginar o quanto nos tornaríamos dependentes de tecnologias como o celular e a internet, principalmente por todas as facilidades que elas nos proporcionam e agilizam o nosso moderno estilo de vida. Nos dias de hoje, ficar desconectado é o mesmo que estar alienado com o que acontece ao redor do mundo. E toda essa revolução aconteceu em pouquíssimo tempo, porém a uma velocidade extraordinária, deixando para trás a época da máquina de escrever e do fax, que também fizeram parte dessa história.

Curiosamente, a internet foi inventada literalmente por acaso, quando cientistas norte-americanos desenvolveram a ferramenta como uma forma de manter, em uma única rede, as informações sigilosas do governo. Era o período da Guerra Fria que, ao findar, teve a internet aberta para o mundo. No Brasil, o processo foi mais lento e só viemos a ter de fato acesso de massa à conectividade há praticamente uma década, com a privatização do setor de telecomunicações, a partir de 1997.

Na mesma velocidade da internet, nós brasileiros pudemos definitivamente estar inseridos no mundo globalizado e, mais do que isso, somos tão adeptos à conectividade que, não por acaso, lideramos o ranking mundial de horas navegadas, com uma média mensal de 24 horas e 54 minutos por pessoa, à frente da França e Alemanha, respectivamente segundo e terceiro lugares no ranking.

Seja para o mercado corporativo ou uso pessoal, a internet definitivamente chegou para ficar e nem podemos mais imaginar como seria a vida sem ela, em todos os sentidos. Ela nos possibilitou ter acesso à informações antes pouco divulgadas, ampliou o nosso campo de conhecimento e, em um piscar de olhos, ficamos ao par do que acontece nos quatro cantos do mundo. Para o futuro da educação do Brasil, mais uma vez é a internet que, nesse imenso país continental, difunde conhecimento. Tanto que o governo trabalha com a meta de conectar 56,9 mil escolas públicas até 2010. Até agora, 2,5 mil instituições já contam com internet banda larga.

Nesse fantástico universo que é a conectividade, o mundo não tem fronteiras. Somos um só, um único povo, e todos desfrutando ao mesmo tempo do bem mais precioso que temos: a informação.  Mas para que isso seja uma realidade de fato em nosso país, muito há a ser feito e os desafios são grandes, conforme dito por Oscar Clarke, presidente da Intel, em entrevista ao Giro Business.

Objeto de desejo
Assim como no passado em que muitos brasileiros sonhavam em ter um uma linha de telefone fixo, inacessível para grande parte da população até ser popularizada, hoje o sonho é outro. Atualmente, o computador passou a ser mais do que um objeto de desejo, mas uma necessidade; tanto que o governo colocou em prática, em 2005, duas ações para que ele se popularizasse. Foram elas a “MP do Bem”, com isenção fiscal de PIS e Cofins, e o “Programa Computador para Todos”. Com essas iniciativas, a Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica) estima que mais de 300 mil equipamentos foram vendidos até o final do ano passado. Mas ainda há muito a ser feito, uma vez que menos de 30% das residências brasileiras possuem um computador e, na opinião de Oscar Clarke, as iniciativas não podem parar. “Precisamos garantir que esse processo e as iniciativas não parem, independentemente da crise. O mercado foi impactado por ela e a oferta de crédito ficou seletiva. Como tudo na vida, essa crise não vai se perpetuar. A dúvida é quando ela começará a se dissipar”, disse, acrescentando que, aliado às ações governamentais, o aumento da renda da população, o crédito mais barato e o deslocamento da população de baixa renda para a classe C, também foram fatores que contribuíram para a inclusão digital.

Mobilidade no bolso
Como tudo caminha para a evolução, os computadores também seguem nesse sentido. Das gigantescas máquinas que ocupavam salas inteiras, vieram os desktops que por anos foram o sonho de consumo e que, cada vez mais, estão cedendo lugar aos notebooks, uma tendência mundial já vivenciada no Brasil. No ano passado, as vendas desses equipamentos cresceram 138% em relação a 2007 e as de desktops apenas 8%. Segundo Clarke, ainda estamos longe de países como o Japão, em que os notebooks somam 70% das vendas, mas não tardaremos para chegar lá. 

E, muito mais do que isso, o destino segue um único caminho: a mobilidade, com computadores cada vez menores, mais leves do que os atuais, mais eficientes e que permitam a perfeita conectividade em qualquer hora e em qualquer lugar. Estamos falando dos netbooks, uma classe de computadores portáteis tipo subnotebook, com telas que variam de 7 a 10 polegadas e que se tornaram uma febre em vários países do mundo; e de equipamentos do tamanho de um iPhone, que cabem no bolso. “A grande aposta da Intel é essa mobilidade. Tanto que temos investido muito no processador Atom (o cérebro do computador) e, até o fim deste ano, já estará no mercado brasileiro uma novidade da tecnologia MID: a internet que caberá no bolso, semelhante a um iPhone, porém com toda a arquitetura do processador X86, que permite conexão semelhante a um notebook, apto a realizar downloads e abrir páginas simultaneamente”, informa o executivo da Intel, complementando que, assim como uma febre em outros países, os netbooks também conquistarão o consumidor brasileiro. “Aqui no Brasil, percebemos que há um grande número de players locais e multinacionais que os estão lançando. Acreditamos que eles também serão best sellers no portfólio de mobilidade”.

Por onde anda a conexão
Entretanto, o sonho da mobilidade ainda atravessa alguns pesadelos, a estrutura de banda larga no país deixa a desejar e há muito a ser feito. Bem atrasado nesse quesito, comentou Clarke, o Brasil ainda enfrenta empecilhos. Segundo ele, faltam marcos regulatórios, o leilão para uso de freqüência 3,5 GHz ainda não saiu do papel e nem sequer há produtos homologados para a freqüência 2,5 GHz. “Estamos atuando junto aos órgãos regulatórios para viabilizar projetos de banda larga no Brasil. Somos a favor do 3G e todos os nossos equipamentos têm interface para esta tecnologia. Porém, o 3G é maravilhoso para a aplicação de voz e não é tão otimizado para aplicação de dados. Para essa tecnologia, existe o WiMax, que em mercados maduros já está em fase de implantação e, no Brasil, ainda estamos engatinhando nessa área, por problemas regulatórios”.

Enquanto as inovações não saem do papel, apenas 38,2 milhões de pessoas têm acesso à internet. Somos 190 milhões de habitantes, apostando que, assim como a telefonia móvel e fixa se popularizaram, o mesmo ocorrerá com a internet. Atualmente, além dela pesar no bolso para muitos, para outros, acredite, ela ainda nem sequer existe…

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Sérgio Waib Idealizador e apresentador do programa Giro Business, Sergio Waib é empresário da área de comunicação, com passagens pela Young & Rubican, quando foi diretor de novos negócios e Jovem Pan, quando atuou como diretor comercial.
Site: www.girobusiness.com.br
E-mail: contato@girobusiness.com.br
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